Olhar português
Por Carlos Matos Gomes
Jornalista
http://www.suburbanu.blogspot.com/
Caro leitor, nesta página da Revista Brasil vou tentar ser um advogado de Portugal. Vou contar tudo o que saiba sobre o meu país, sobre o Brasil, sobre as suas diferenças e no que eles se transformam quando se misturam...
Na crónica deste mês vou falar das relações laborais entre portugueses e brasileiros, dando a minha opinião em relação àquilo que observo. Sendo Portugal um país de emigrantes, estranho um pouco que haja tanto preconceito quanto à questão de aceitar os imigrantes no nosso país, pelo menos teoricamente. E digo teoricamente porque ouço muitas vezes dizer que os brasileiros vieram roubar postos de trabalho aos portugueses, mas a realidade é que vieram preencher muitas das vagas que de outra forma quase ninguém queria, sobretudo na restauração, na construção civil e outras actividades menos desejadas pelos portugueses. E é ver e ouvir os emigrantes do outro lado do oceano a trabalhar em restaurantes, cafés, esplanadas, obras, estafetagem, publicidade, etc. O leque de opções para os brasileiros tem vindo a alargar, sendo sinal de vigor da comunidade que vai ganhando espaço nos meios laborais portugueses, alargando os seus campos de acção, estabelecendo laços, criando raízes.
Claro que esta situação não agrada a muitos lusitanos, que se queixam que os brasileiros trabalham por menos dinheiro, mas também dizem o mesmo em relação a imigrantes de outros países, não é nenhuma perseguição exlusiva. E acontece também com os portugueses quando saem do país para ir trabalhar para fora. Portanto, é uma atitude que não se compreende, nem ceita. Apesar de achar que há algum preconceito, julgo que não ultrapassa o limite do razoável bom senso e algumas bocas menos felizes em determinadas situações. No fundo, creio que a maioria dos portugueses reconhece a falta que a comunidade imigrante faz a Portugal, especialmente a brasileira.
A concorrência no mundo do trabalho é saudável e desejável, pelo que a relação entre portugueses e brasileiros no mercado de trabalho nacional tem que ser encarada assim mesmo. Vai sempre haver quem se queixe disto ou daquilo nesta situação, mas os imigrantes são necessários e têm todos que ser bem vindos ao nosso país, desde que cumpram com as leis e tenham a humildade de se adaptarem a uma realidade diferente da do país de origem.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Um Olhar novo
Olhar português*
Por Carlos Matos Gomes
Jornalista
http://www.suburbanu.blogspot.com/
Caro leitor, nesta página da Revista Brasil vou tentar ser um advogado de Portugal. Vou contar tudo o que saiba sobre o meu país, sobre o Brasil, sobre as suas diferenças e no que eles se transformam quando se misturam...
Falar de Portugal para quem cá está vindo de outras paragens é tarefa complicada, pois poderei cair algumas vezes na tentação de ser juiz em causa própria. No entanto, mesmo correndo este risco, aceito de bom grado explicar o meu país na medida das minhas limitações. Poderia começar por falar do clima ameno, dos muitos quilómetros de costa que temos, onde tantos brasileiros e brasileiras se instalaram para sentirem mais perto o outro lado do oceano. Também podia apelar para as raízes comuns que a história – boa ou má – se encarregou de deixar em dois países tão afastados, mas sempre próximos por força dos achamentos de 1500. Mas optei por, nesta primeira crónica noutros moldes e noutro fulgor da Revista Brasil, enveredar por algo que portugueses e brasileiros têm em comum, embora com estilos muito distintos: o gosto por comunicar.
Nos dois lados do Oceano o gosto por falar, por contar, por dizer é muito grande e isso é uma ligação comum que temos, que não podemos mandar fora. É certo que nós portugueses somos mais cinzentos, menos expressivos em quase tudo. Mas também é verdade que conseguimos coisas maiores que nós mesmos, criando espaço e condições para que todos os que cá estão, assim como para os que vêm. Temos a humildade de aceitar a alegria que vem do Brasil, seja através do futebol, das novelas ou da música. Estes são os três maiores temas em comum entre os dois países, com vantagem para o Brasil que exporta mais do que importa. No final, as contas dizem que todos ficamos satisfeitos, porque num curto rectângulo como o mapa português conseguimos proporcionar uma variedade muito grande, utilizando a mistura entre o samba brasileiro e o fado potuguês.
Podemos, às vezes, viver em países diferentes, mas a grandeza da alma não conhece fronteiras. Vou falar de Portugal para você e pergunto, por que é que é bom viver aqui? Não conheço resposta curta para caber numa página. Vou ter a oportunidade de o fazer durante os próximos tempos junto consigo, neste espaço que é seu através de mim. Além das pistas que dei no início deste texto, deixo aqui outra sensação que tenho: o povo lusitano ainda é dos mais simpáticos e afáveis desta Europa cada vez mais fria nos relacionamentos, embora sonhe com o calorzinho humano que nós vamos aqui tendo. E tanta cor tem ganho Portugal com a vinda de gente diferente, mais alegre, mais de bem com a vida, mesmo a trabalhar muito para a ganhar!
Por Carlos Matos Gomes
Jornalista
http://www.suburbanu.blogspot.com/
Caro leitor, nesta página da Revista Brasil vou tentar ser um advogado de Portugal. Vou contar tudo o que saiba sobre o meu país, sobre o Brasil, sobre as suas diferenças e no que eles se transformam quando se misturam...
Falar de Portugal para quem cá está vindo de outras paragens é tarefa complicada, pois poderei cair algumas vezes na tentação de ser juiz em causa própria. No entanto, mesmo correndo este risco, aceito de bom grado explicar o meu país na medida das minhas limitações. Poderia começar por falar do clima ameno, dos muitos quilómetros de costa que temos, onde tantos brasileiros e brasileiras se instalaram para sentirem mais perto o outro lado do oceano. Também podia apelar para as raízes comuns que a história – boa ou má – se encarregou de deixar em dois países tão afastados, mas sempre próximos por força dos achamentos de 1500. Mas optei por, nesta primeira crónica noutros moldes e noutro fulgor da Revista Brasil, enveredar por algo que portugueses e brasileiros têm em comum, embora com estilos muito distintos: o gosto por comunicar.
Nos dois lados do Oceano o gosto por falar, por contar, por dizer é muito grande e isso é uma ligação comum que temos, que não podemos mandar fora. É certo que nós portugueses somos mais cinzentos, menos expressivos em quase tudo. Mas também é verdade que conseguimos coisas maiores que nós mesmos, criando espaço e condições para que todos os que cá estão, assim como para os que vêm. Temos a humildade de aceitar a alegria que vem do Brasil, seja através do futebol, das novelas ou da música. Estes são os três maiores temas em comum entre os dois países, com vantagem para o Brasil que exporta mais do que importa. No final, as contas dizem que todos ficamos satisfeitos, porque num curto rectângulo como o mapa português conseguimos proporcionar uma variedade muito grande, utilizando a mistura entre o samba brasileiro e o fado potuguês.
Podemos, às vezes, viver em países diferentes, mas a grandeza da alma não conhece fronteiras. Vou falar de Portugal para você e pergunto, por que é que é bom viver aqui? Não conheço resposta curta para caber numa página. Vou ter a oportunidade de o fazer durante os próximos tempos junto consigo, neste espaço que é seu através de mim. Além das pistas que dei no início deste texto, deixo aqui outra sensação que tenho: o povo lusitano ainda é dos mais simpáticos e afáveis desta Europa cada vez mais fria nos relacionamentos, embora sonhe com o calorzinho humano que nós vamos aqui tendo. E tanta cor tem ganho Portugal com a vinda de gente diferente, mais alegre, mais de bem com a vida, mesmo a trabalhar muito para a ganhar!
*Crónica publicada na Revista Brasil, em Fevereiro 2008, num novo lançamento da publicação a nível nacional. Com este texto chega ao fim o espaço «Estórias que me contaram» na mesma publicação. Em breve sairá uma compilação desses textos já publicados.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
ESTÓRIAS QUE ME CONTARAM

“Deiam alguma coisinha à ceguinha”*
O Natal é uma época do ano que gera os mais bizarros e contraditórios sentimentos nas pessoas. Há quem o viva de uma forma apaixonada, decore a casa com fervor, faça doces em catadupa, procure as melhores prendas. Por outro lado, há também aqueles para quem o espírito natalício é desprovido de sentido. Ora porque estão sozinhos, ora porque são forretas e não lhes apetece andar a entrar em consumismos exagerados, ou muito simplesmente estão a passar uma má fase na sua vida.
E no meio disto tudo há sempre quem se aproveite para pedir mais, para esmolar, para evidenciar desgraças a troco de dinheiro. É normal vermos pedintes por toda a Lisboa, mas nesta altura do ano multiplicam-se, sobretudo nas estações do metro.
É sobre um destes pedintes que tenho uma estória para contar. Entre as desgraças mais comuns para evidenciar a troco de dinheiro está a cegueira. Toda a gente tem pena do ceguinho, coitadinho! Sabendo disso, os cegos percorrem as carruagens do metro pedindo dinheiro. Há os que vão sozinhos, há os que vão em casais. Mas há uma senhora que opta pelo método mais simples. Fica no topo das escadas da saída de uma estação central de Lisboa com a mão estendida, sempre a dizer: «Deiam qualquer coisinha à ceguinha!» A senhora já é entradota em termos de idade, com muitas rugas, mal vestida, com falta de asseio, etc. Devo confessar que a figura já quase me levou a dar-lhe umas moedas, mas sempre hesitei e nunca o fiz.
Um destes dias percebi porquê. Saí mais tarde de trabalho, entrei no metro e não vi a senhora que tenho vindo a falar no seu lugar do costume. Estava mais abaixo a dobrar a cadeira onde costuma estar sentada, colocando-a debaixo do braço, arrumando o dinheiro sacado aos papalvos e a estugar o passo. Sem qualquer tipo de auxílio normal para um cego. Estranhei, mas podia ser do hábito. Ela foi para a plataforma contrária à minha e aí caiu-lhe a “máscara”, pois estava a consultar o mapa do metro e a ver, sim a ver, os bilhetes que tinha no bolso. Afinal, não é cega! E é mais um contributo para eu continuar a não dar esmolas a pedintes. Há o mito de que muitos têm vidas boas, mas que preferem a humilhação a ter de trabalhar. Esta não sei se tem uma vida boa, mas utiliza uma deficiência ilegitimamente, enganando as pessoas. Se quem tem um olho em terra de cegos é rei, então esta que tem dois o que será?
Carlos Matos Gomes
*Texto publicado na Revista Brasil de Dezembro
Etiquetas:
cidade,
coisas estranhas,
desabafo,
estórias que me contaram,
imbecilidades,
mulher,
quotidiano
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Sou um bocadinho open minded...
| You Are 56% Open Minded |
You are a very open minded person, but you're also well grounded. Tolerant and flexible, you appreciate most lifestyles and viewpoints. But you also know where you stand firm, and you can draw that line. You're open to considering every possibility - but in the end, you stand true to yourself. |
Etiquetas:
ligações directas,
mitos,
personalidades,
quotidiano
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
ESTÓRIAS QUE ME CONTARAM
O amor não tem mesmo tradução*Com o frio de Novembro convém que algo nos aqueça a alma, nos derreta o espírito e nos transporte para temperaturas mais amenas ou mesmo muito quentes. Assim sendo, falemos de sentimentos, de amor, amizade, paixão ou outros que sejam. Falo de muitos sentimentos porque tenho alguma dificuldade em perceber a estória que conto este mês somente sob a perspectiva de um. Eu acho que o que explica o que se passou, e passa, é amor. Mas neste caso o amor é lindo, ou é f….. como escreveu em livro o Miguel Esteves Cardoso? Depende de quem lê.
As coisas passaram-se assim: Havia uma cabeleireira de um bairro dos subúrbios de Lisboa que andava infeliz com a vida. O trabalho era mau, o pagamento ainda pior, o namorado tratava-a mal, sentia-se perdida. Decidiu arranjar um escape para tudo isto. Começou a navegar na Internet à procura nem bem sabia do quê. Alguém, que não eu, informou-a de que havia uns sites sociais que promoviam o encontro entre pessoas, nem que fosse só virtualmente. Inscreveu-se em alguns, criou perfis, começou a ter amigos novos, entrou noutra etapa da sua vida triste.
Digamos que a sua “second life” era mais interessante que a primeira. Passadas algumas semanas de reconhecimento, de trocas de mails, de grandes conversas com um amigo virtual aconteceu-lhe o que já não é novidade para quem costuma andar nestas lides: ganhou vontade de conhecer a pessoa por trás do outro teclado. E assim foi, arranjou coragem, encontrou-se com ele e gostou. Trocou de namorado, ficou mais feliz, ganhou sorriso. Tudo como numa estória da Cinderela moderna, mas há um pormenor relevante para que o enredo ganhe outra força: o novo namorado é tetraplégico! Começaram a criticá-la, que não tinha futuro, que a vida ia ser má. Ela fartou-se e fugiram os dois. Não sei onde estão, nem quero saber. Só espero que estejam a viver o seu amor, paixão, amizade e afins com intensidade, com calor e que derretam todo o frio deste Inverno. Os cépticos que vão às malvas e que continuem como as pedras…. frios!
Carlos Matos Gomes
*Texto publicado na Revista Brasil, do mês de Novembro
Etiquetas:
cidade,
estórias que me contaram,
mulher,
quotidiano
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Hipocritamente correcto
"Há grande afluência nas saídas das grandes cidades, com muitas pessoas a voltarem aos seus pontos de origem para verem os seus entes queridos", disse um agente da GNR num noticiário da Antena3 na quinta-feira, dia de todos os santos. Fiquei, mais uma vez, espantado com a capacidade eufemística dos nossos guardas. Aquilo foi uma forma escusadamente eloquente de dizer que as pessoas aproveitaram para ir à terra. E parece que a maioria tem só familiares no Algarve!!! Adiante, que o hipocritamente correcto é uma merda.
Etiquetas:
cidade,
imbecilidades,
indianagem,
quotidiano
terça-feira, 3 de julho de 2007
Dias assim
E depois há dias, demasiados dias de esperança fútil, sem qualquer outro fito que não seja o de ir paliativamente atenuando o conformismo mais que certo. São dias estéreis, acabados em si, uma mera formalidade da vida que não pára com as suas inspirações, expirações e expiações. Há, claro, um desejo de morte momentânea, uma pausa infantil, como uma criança faz quando parte um jarro da mãe e fecha os olhos, fazendo de conta que tal não aconteceu, na esperança de que o jarro se reconstrua.
Etiquetas:
desabafo,
ligações directas,
quotidiano
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Foi do tamanho das gargalhadas que dei!
No sábado fui ver a última apresentação - para já - do espectáculo de stand-up comedy do Bruno Nogueira: sou do tamanho do que vejo e não da minha altura... O altíssimo comediante encheu cerca duas horas com uma performance notável. E só bebeu um copo água. Brincou com os problemas em África, com Fátima, com Deus, com os famosos que são-no só porque o são e mais nada, com a estupidez lusitana, com notícias de espectáculos de sinais gestuais para cegos (in 24 Horas)!!!! Tudo com muita inteligência. É caso para dizer que ele vê um pouco mais acima dos seus 1,92 m. Ah! E falou de como é difícil subir na vida do espectáculo sem dar o rabo. Acrescento eu que na minha linha profissional acontece o mesmo...
Etiquetas:
cidade,
comédia,
personalidades,
quotidiano
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Rolling Stones, finalmente!!!!!!
Já andava há algum tempo para ir ver os velhos do rock ao vivo. Perdi algumas oportunidades no passado, mas na segunda-feira (25.06.2007) foi de vez. Consegui assistir a um grande espectáculo do Mick Jagger, Keith Richards e companhia, no Estádio de Alavalade. Surpreendeu-me pela positiva a energia de Jagger, a empatia de Richards com o público, o som, a grandiosidade do cenário, o profissionalismo da banda ao fim de mais de 45 anos a trabalhar junta em palco. Gostei de ver a Ana Moura (ao meio na foto do El País), uma fadista que me era desconhecida até àquele dia. Boa voz, generosidade na entrega, num momento musical que deixou a desejar, mas que valeu pelo simbolismo. Resumindo: gostei, e muito.Aos meus amigos fãs de concertos, tenho a comunicar que já completei a dupla Xutos/Stones. Faltarão outros, mas nunca é tarde...
Etiquetas:
cidade,
mitos,
música,
personalidades,
quotidiano,
rock
segunda-feira, 18 de junho de 2007
O fim do mundo no metro com ela a dominar a conversa e sem lhe cair uma maçã na cabeça
O Mundo mudou muito, mas não deve de acabar tão cedo, mesmo com Isaac Newton a prever o contrário em manuscritos. O cientista que ficou conhecido por descobrir a lei da gravidade depois de levar com uma maçã na cabeça quando se sentava para descansar precisamente debaixo de uma macieira previu também o final do mundo para o ano de 2060. É o que se pode ler em documentos seus preservados pela Universidade Hebraica de Jerusalém:
«Numa carta datada de 1704, Isaac Newton, físico e astrónomo inglês especialista em teologia e alquimia, fez um cálculo baseado num excerto da Bíblia, retirado do Livro de Daniel. Segundo o cientista, 1260 anos passariam entre a refundação do Santo Império Romano por Carlos Magno, no ano 800, e o fim dos tempos.» Com esta teoria algo creacionista do final do Mundo, até ponho a lei da gravidade em causa!!!
Mais em terra, ou seja no metro, ouvi como o mundo não acaba mas muda. Conversa entre adolescentes em início de namoro:
Ela: - Dá-me isso que tens na mão.
Ele: - Não! Olha, hoje não me chamaste de amor!!! Se tivesses um teclado à frente já o tinhas feito.
Ela: - ...
Tem piada.
«Numa carta datada de 1704, Isaac Newton, físico e astrónomo inglês especialista em teologia e alquimia, fez um cálculo baseado num excerto da Bíblia, retirado do Livro de Daniel. Segundo o cientista, 1260 anos passariam entre a refundação do Santo Império Romano por Carlos Magno, no ano 800, e o fim dos tempos.» Com esta teoria algo creacionista do final do Mundo, até ponho a lei da gravidade em causa!!!
Mais em terra, ou seja no metro, ouvi como o mundo não acaba mas muda. Conversa entre adolescentes em início de namoro:
Ela: - Dá-me isso que tens na mão.
Ele: - Não! Olha, hoje não me chamaste de amor!!! Se tivesses um teclado à frente já o tinhas feito.
Ela: - ...
Tem piada.
Etiquetas:
cidade,
coisas novas,
estórias que me contaram,
ligações directas,
mulher,
personalidades,
quotidiano
Real Madrid campeón!!! 30 veces...
Real Madrid es campeón y yo estoy muy feliz con eso. Me gustó mucho ver Raúl besar La Cibéles después de un partido sufrido con Maiorca. Con todo, el Madrid consiguió su trigésimo campeonato liguero. El vídeo se va a quedar por aquí hasta siempre.
http://www.youtube.com/watch?v=Bnv3idiYx2o
P.S. - Tom Cruise, el nuevo amigo de Beckham, estuvo en las bancadas aplaudiendo. Es otro nivel la liga en España!
http://www.youtube.com/watch?v=Bnv3idiYx2o
P.S. - Tom Cruise, el nuevo amigo de Beckham, estuvo en las bancadas aplaudiendo. Es otro nivel la liga en España!
Etiquetas:
desporto,
futebol,
mitos,
personalidades
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Parabéns Naranjito!

Passe o lugar comum, é por estas e por outras que noto a idade a passar. O Naranjito, a mascote do Mundial de Espanha 1982, fez 25 anos e a efeméride foi assinalada pelo jornal Marca. Escreveram que Nadal ainda não tinha nascido, Fernando Alonso tinha onze meses e Gasol, dois anos. Gostava de escrever esta frase com desportistas de elite nacional mas não temos um tenista de topo, nem um piloto campeão do mundo de Fórmula 1 ou um basquetebolista a jogar na NBA. O mais parecido com isto que se pode arranjar é uma Neuza Silva (283.ª do ranking mundial de Ténis), um Tiago Monteiro (uma vez terceiro classificado num GP) e uma Ticha Penicheiro (jogadora na WNBA).
Bom, comparações à parte, a verdade é que a pequena laranjinha faz 25 anos. Lembro-me bem dos jogadores que, faziam furor naquela altura: Brasil, com Éder, Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Cerezo; Argentina com Maradona, Kempes, Ardiles; Alemanha com Breitner, Kaltz, Rumenigge; França, com Platini, Tigana, Giresse, Rocheteau. Mas o Mundial foi para a Itália com Rossi, Antognoni, Conti, Zoff. Portugal não foi apurado. Hoje é cabeça de cartaz. Há coisas que mudam para melhor.
P.S. - Lembro-me de um frango do Arconada nesse Mundial; entrei para a escola primária no mês seguinte, foram os melhores e mais frutíferos quatro anos do meu percurso escolar.
Etiquetas:
desporto,
futebol,
mitos,
personalidades,
quotidiano
Quais afegãos, o Bush tem de estar de olho é nos albaneses e nas suas mãos
O presidente do Estados Unidos foi roubado na visita de Estado à Albânia. No contacto directo com a multidão albanesa ficou sem o relógio. E tudo isto nas barbas de uns quantos men in black da segurança pessoal da Casa Branca. Ambas as diplomacias se esforçaram depois por desmentir esta versão, dizendo que o relógio tinha sido perdido!! Veja-se as imagens e tire-se as conclusões. Primeiro tem o relógio e depois já não:
Será que quem roubou o relógio vai receber um míssil em casa?
Será que quem roubou o relógio vai receber um míssil em casa?
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Messi volta a imitar Maradona
Outra vez Messi à Maradona. Já são muitas coincidências apesar do jogador do Barcelona dizer que Maradona há só um!
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Dormir numa Lisboa só!
Dormir no meio de Lisboa é um privilégio raro, mas aconteceu hoje. O dia é de feriado, a maioria dos lisboetas sai da capital à procura de sol algarvio ou afim e as ruas ficam praticamente desertas. Sento-me num banco de jardim em frente à maternidade Dr. Alfredo da Costa, leio um livro, os (poucos) carros passam com um efeito sonoro de embalo, as pálpebras começam a ceder, o corpo deita-se com o livro como almofada. Há algum pejo neste movimento, por vergonha, embaraço ou falta de prática, mas o cansaço tem um efeito desinibador e o sono vence as barreiras do pudor público. Abandono-me a ele durante cerca de trinta minutos. É delicioso e recuperador!Acordo e sinto-me como Conan o Rapaz do Futuro, com as ruas abandonadas, as estruturas à mercê. Sinto-me abandonado pelas pessoas... É um estranho alívio!
Etiquetas:
cidade,
ligações directas,
quotidiano,
sonhos,
sono
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Não quero 20 empregos flexiseguros!
Os nossos instintos provincianos disparam para níveis inaceitáveis sempre que vamos aos países nórdicos buscar modelos completamente desfasados da nossa realidade. Primeiro foi o modelo finlandês, agora é o dinamarquês (os latinos da escandinávia!!) aplicado à lei laboral. Claro que é um grande engodo trasvestir uma liberalização completa do mercado de trabalho luso como se fosse o dinamarquês. O "pai" da "flexisegurança", Poul Rasmussen, em recentes declarações à imprensa, explica que os jovens vão mudar de emprego entre 15 a 20 vezes durante a sua vida activa, mas que metade será dentro das mesmas empresas. Adianta ainda que «uma grande parte dos trabalhadores portugueses vai perder o seu emprego e não ter oportunidade de encontrar um novo". E aqui começa o problema é que na Dinamarca a média de tempo que um desempregado espera por outro emprego é de 15 dias, em Portugal é de um ano, para não falar da segurança social que suporta o dinamarquês muito diferente da nossa. Rasmussen assume que a sua solução não é brilhante, mas deixa um conselho: «não se pode competir com salários baixos, mas sim com altas qualificações.»
E digo eu: Ó Rasmussen, nós temos cá um tipo que diz que os salários baixos são uma mais valia competitiva, mesmo para os que têm altas qualificações, assim à laia dos países que estiveram por trás da cortina de ferro. A sorte é que os nossos altos qualificados fogem e depois ficam cá os inúteis para serem ministros e quejandos. E quer aqui apostar, Ó Rasmussen, que vamos ter a sua "flexisegurança" aplicada, mesmo não sendo brilhante, para que as pessoas possam simplesmente ser despedidas quase como escravos, sem direitos nem compensações, para depois andarem um ano ou mais à procura de mais um trabalho flexiseguro!? E quer também apostar que os salários baixos vão continuar em detrimento das altas qualificações?
Mais duas notas finais: Se este ex-primeiro-ministro dinamarquês considera que o seu modelo não é brilhante para a Dinamarca, com níveis de desnvolvimento muito superiores ao nosso, imagine-se a catástrofe se for cá aplicado! E fecho com um aviso: é que se os dinamarquese são conhecidos por serem os latinos da Escandinávia, nós não somos propriamente considerados os nórdicos do sul da Europa. Neste aspecto, devemos estar mais perto do Zimbabué...
E digo eu: Ó Rasmussen, nós temos cá um tipo que diz que os salários baixos são uma mais valia competitiva, mesmo para os que têm altas qualificações, assim à laia dos países que estiveram por trás da cortina de ferro. A sorte é que os nossos altos qualificados fogem e depois ficam cá os inúteis para serem ministros e quejandos. E quer aqui apostar, Ó Rasmussen, que vamos ter a sua "flexisegurança" aplicada, mesmo não sendo brilhante, para que as pessoas possam simplesmente ser despedidas quase como escravos, sem direitos nem compensações, para depois andarem um ano ou mais à procura de mais um trabalho flexiseguro!? E quer também apostar que os salários baixos vão continuar em detrimento das altas qualificações?
Mais duas notas finais: Se este ex-primeiro-ministro dinamarquês considera que o seu modelo não é brilhante para a Dinamarca, com níveis de desnvolvimento muito superiores ao nosso, imagine-se a catástrofe se for cá aplicado! E fecho com um aviso: é que se os dinamarquese são conhecidos por serem os latinos da Escandinávia, nós não somos propriamente considerados os nórdicos do sul da Europa. Neste aspecto, devemos estar mais perto do Zimbabué...
Etiquetas:
apelos,
Democracia,
imbecilidades,
política
terça-feira, 5 de junho de 2007
Joe, o rico que tira aos ricos ou o Robin Hood Causa Invertida dos tempos modernos
Assistimos ao nascimento de mais uma figura inédita no seio da nossa sociedade: o capitalista-populista. A seguir ao voraz político que desce até ao povo, cujo expoente máximo é o "Paulinho das feiras", eis que surge Joe Berardo o capitalista aplaudido pelo povo, o vencedor do grande Raw contra todas as OPA, o lutador infatigável a favor... dos largos milhões embolsados, o verdadeiro Robin dos Bosques dos tempos modernos, que tira aos ricos para ficar ainda mais rico. O homem até chegou a ser ovacionado, quando saiu da reunião que impediu o sucesso da OPA da Sonae sobre a PT, imagine-se!, por sindicalistas! Entretanto lutou contra Jardim "Undertacker" Gonçalves na AG do BCP e voltou a ser recompensado com uma valorização estimada de 210 milhões de euros das suas acções no maior banco privado português. Um dos argumentos esgrimido neste embate foi o meio de transporte utilizado pelo ex-presidente executivo do BCP. Joe não se conformou que ele viesse de jacto privado às expensas do BCP!!! E o povo viu e manifestou-se a seu favor.Somos realmente pouco coerentes nas nossas (poucas!) manifestações. Ora lutamos contra a precariedade laboral, ora apoiamos um homem que legitimamente faz a sua vida a ganhar dinheiro em especulações bolsistas que muitas vezes redundam em mais despedimentos nas empresas, pois estas têm de agradar aos seus accionistas e estes não podem perder os seus altos rendimentos. Somos assim, diferentes, incoerentes. O único motivo talvez seja a deriva da falta de causas.
Etiquetas:
coisas estranhas,
Democracia,
imbecilidades,
personalidades,
política,
poupança
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Cinzento a querer mudar
Hoje é dia da criança. Também foi o dia em que vi um homem no metro a ler furiosamente enquanto, num óbvio tique nervoso, palitava os dentes da frente com a ponta da unha de um dos mindinhos, fazendo umas derivações pela densa barba que lhe contornava a boca. Também fiquei a saber que o George Orwell morreu na miséria. Continuando nesta linha sem lógica, cada vez mais me convenço que estou no caminho errado, cheio de cinzento...
Etiquetas:
coisas estranhas,
ligações directas
Subscrever:
Mensagens (Atom)