quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Hipocritamente correcto
"Há grande afluência nas saídas das grandes cidades, com muitas pessoas a voltarem aos seus pontos de origem para verem os seus entes queridos", disse um agente da GNR num noticiário da Antena3 na quinta-feira, dia de todos os santos. Fiquei, mais uma vez, espantado com a capacidade eufemística dos nossos guardas. Aquilo foi uma forma escusadamente eloquente de dizer que as pessoas aproveitaram para ir à terra. E parece que a maioria tem só familiares no Algarve!!! Adiante, que o hipocritamente correcto é uma merda.
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terça-feira, 3 de julho de 2007
Dias assim
E depois há dias, demasiados dias de esperança fútil, sem qualquer outro fito que não seja o de ir paliativamente atenuando o conformismo mais que certo. São dias estéreis, acabados em si, uma mera formalidade da vida que não pára com as suas inspirações, expirações e expiações. Há, claro, um desejo de morte momentânea, uma pausa infantil, como uma criança faz quando parte um jarro da mãe e fecha os olhos, fazendo de conta que tal não aconteceu, na esperança de que o jarro se reconstrua.
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segunda-feira, 2 de julho de 2007
Foi do tamanho das gargalhadas que dei!
No sábado fui ver a última apresentação - para já - do espectáculo de stand-up comedy do Bruno Nogueira: sou do tamanho do que vejo e não da minha altura... O altíssimo comediante encheu cerca duas horas com uma performance notável. E só bebeu um copo água. Brincou com os problemas em África, com Fátima, com Deus, com os famosos que são-no só porque o são e mais nada, com a estupidez lusitana, com notícias de espectáculos de sinais gestuais para cegos (in 24 Horas)!!!! Tudo com muita inteligência. É caso para dizer que ele vê um pouco mais acima dos seus 1,92 m. Ah! E falou de como é difícil subir na vida do espectáculo sem dar o rabo. Acrescento eu que na minha linha profissional acontece o mesmo...
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quarta-feira, 27 de junho de 2007
Rolling Stones, finalmente!!!!!!
Já andava há algum tempo para ir ver os velhos do rock ao vivo. Perdi algumas oportunidades no passado, mas na segunda-feira (25.06.2007) foi de vez. Consegui assistir a um grande espectáculo do Mick Jagger, Keith Richards e companhia, no Estádio de Alavalade. Surpreendeu-me pela positiva a energia de Jagger, a empatia de Richards com o público, o som, a grandiosidade do cenário, o profissionalismo da banda ao fim de mais de 45 anos a trabalhar junta em palco. Gostei de ver a Ana Moura (ao meio na foto do El País), uma fadista que me era desconhecida até àquele dia. Boa voz, generosidade na entrega, num momento musical que deixou a desejar, mas que valeu pelo simbolismo. Resumindo: gostei, e muito.Aos meus amigos fãs de concertos, tenho a comunicar que já completei a dupla Xutos/Stones. Faltarão outros, mas nunca é tarde...
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segunda-feira, 18 de junho de 2007
O fim do mundo no metro com ela a dominar a conversa e sem lhe cair uma maçã na cabeça
O Mundo mudou muito, mas não deve de acabar tão cedo, mesmo com Isaac Newton a prever o contrário em manuscritos. O cientista que ficou conhecido por descobrir a lei da gravidade depois de levar com uma maçã na cabeça quando se sentava para descansar precisamente debaixo de uma macieira previu também o final do mundo para o ano de 2060. É o que se pode ler em documentos seus preservados pela Universidade Hebraica de Jerusalém:
«Numa carta datada de 1704, Isaac Newton, físico e astrónomo inglês especialista em teologia e alquimia, fez um cálculo baseado num excerto da Bíblia, retirado do Livro de Daniel. Segundo o cientista, 1260 anos passariam entre a refundação do Santo Império Romano por Carlos Magno, no ano 800, e o fim dos tempos.» Com esta teoria algo creacionista do final do Mundo, até ponho a lei da gravidade em causa!!!
Mais em terra, ou seja no metro, ouvi como o mundo não acaba mas muda. Conversa entre adolescentes em início de namoro:
Ela: - Dá-me isso que tens na mão.
Ele: - Não! Olha, hoje não me chamaste de amor!!! Se tivesses um teclado à frente já o tinhas feito.
Ela: - ...
Tem piada.
«Numa carta datada de 1704, Isaac Newton, físico e astrónomo inglês especialista em teologia e alquimia, fez um cálculo baseado num excerto da Bíblia, retirado do Livro de Daniel. Segundo o cientista, 1260 anos passariam entre a refundação do Santo Império Romano por Carlos Magno, no ano 800, e o fim dos tempos.» Com esta teoria algo creacionista do final do Mundo, até ponho a lei da gravidade em causa!!!
Mais em terra, ou seja no metro, ouvi como o mundo não acaba mas muda. Conversa entre adolescentes em início de namoro:
Ela: - Dá-me isso que tens na mão.
Ele: - Não! Olha, hoje não me chamaste de amor!!! Se tivesses um teclado à frente já o tinhas feito.
Ela: - ...
Tem piada.
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Real Madrid campeón!!! 30 veces...
Real Madrid es campeón y yo estoy muy feliz con eso. Me gustó mucho ver Raúl besar La Cibéles después de un partido sufrido con Maiorca. Con todo, el Madrid consiguió su trigésimo campeonato liguero. El vídeo se va a quedar por aquí hasta siempre.
http://www.youtube.com/watch?v=Bnv3idiYx2o
P.S. - Tom Cruise, el nuevo amigo de Beckham, estuvo en las bancadas aplaudiendo. Es otro nivel la liga en España!
http://www.youtube.com/watch?v=Bnv3idiYx2o
P.S. - Tom Cruise, el nuevo amigo de Beckham, estuvo en las bancadas aplaudiendo. Es otro nivel la liga en España!
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quarta-feira, 13 de junho de 2007
Parabéns Naranjito!

Passe o lugar comum, é por estas e por outras que noto a idade a passar. O Naranjito, a mascote do Mundial de Espanha 1982, fez 25 anos e a efeméride foi assinalada pelo jornal Marca. Escreveram que Nadal ainda não tinha nascido, Fernando Alonso tinha onze meses e Gasol, dois anos. Gostava de escrever esta frase com desportistas de elite nacional mas não temos um tenista de topo, nem um piloto campeão do mundo de Fórmula 1 ou um basquetebolista a jogar na NBA. O mais parecido com isto que se pode arranjar é uma Neuza Silva (283.ª do ranking mundial de Ténis), um Tiago Monteiro (uma vez terceiro classificado num GP) e uma Ticha Penicheiro (jogadora na WNBA).
Bom, comparações à parte, a verdade é que a pequena laranjinha faz 25 anos. Lembro-me bem dos jogadores que, faziam furor naquela altura: Brasil, com Éder, Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Cerezo; Argentina com Maradona, Kempes, Ardiles; Alemanha com Breitner, Kaltz, Rumenigge; França, com Platini, Tigana, Giresse, Rocheteau. Mas o Mundial foi para a Itália com Rossi, Antognoni, Conti, Zoff. Portugal não foi apurado. Hoje é cabeça de cartaz. Há coisas que mudam para melhor.
P.S. - Lembro-me de um frango do Arconada nesse Mundial; entrei para a escola primária no mês seguinte, foram os melhores e mais frutíferos quatro anos do meu percurso escolar.
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Quais afegãos, o Bush tem de estar de olho é nos albaneses e nas suas mãos
O presidente do Estados Unidos foi roubado na visita de Estado à Albânia. No contacto directo com a multidão albanesa ficou sem o relógio. E tudo isto nas barbas de uns quantos men in black da segurança pessoal da Casa Branca. Ambas as diplomacias se esforçaram depois por desmentir esta versão, dizendo que o relógio tinha sido perdido!! Veja-se as imagens e tire-se as conclusões. Primeiro tem o relógio e depois já não:
Será que quem roubou o relógio vai receber um míssil em casa?
Será que quem roubou o relógio vai receber um míssil em casa?
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Messi volta a imitar Maradona
Outra vez Messi à Maradona. Já são muitas coincidências apesar do jogador do Barcelona dizer que Maradona há só um!
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Dormir numa Lisboa só!
Dormir no meio de Lisboa é um privilégio raro, mas aconteceu hoje. O dia é de feriado, a maioria dos lisboetas sai da capital à procura de sol algarvio ou afim e as ruas ficam praticamente desertas. Sento-me num banco de jardim em frente à maternidade Dr. Alfredo da Costa, leio um livro, os (poucos) carros passam com um efeito sonoro de embalo, as pálpebras começam a ceder, o corpo deita-se com o livro como almofada. Há algum pejo neste movimento, por vergonha, embaraço ou falta de prática, mas o cansaço tem um efeito desinibador e o sono vence as barreiras do pudor público. Abandono-me a ele durante cerca de trinta minutos. É delicioso e recuperador!Acordo e sinto-me como Conan o Rapaz do Futuro, com as ruas abandonadas, as estruturas à mercê. Sinto-me abandonado pelas pessoas... É um estranho alívio!
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quarta-feira, 6 de junho de 2007
Não quero 20 empregos flexiseguros!
Os nossos instintos provincianos disparam para níveis inaceitáveis sempre que vamos aos países nórdicos buscar modelos completamente desfasados da nossa realidade. Primeiro foi o modelo finlandês, agora é o dinamarquês (os latinos da escandinávia!!) aplicado à lei laboral. Claro que é um grande engodo trasvestir uma liberalização completa do mercado de trabalho luso como se fosse o dinamarquês. O "pai" da "flexisegurança", Poul Rasmussen, em recentes declarações à imprensa, explica que os jovens vão mudar de emprego entre 15 a 20 vezes durante a sua vida activa, mas que metade será dentro das mesmas empresas. Adianta ainda que «uma grande parte dos trabalhadores portugueses vai perder o seu emprego e não ter oportunidade de encontrar um novo". E aqui começa o problema é que na Dinamarca a média de tempo que um desempregado espera por outro emprego é de 15 dias, em Portugal é de um ano, para não falar da segurança social que suporta o dinamarquês muito diferente da nossa. Rasmussen assume que a sua solução não é brilhante, mas deixa um conselho: «não se pode competir com salários baixos, mas sim com altas qualificações.»
E digo eu: Ó Rasmussen, nós temos cá um tipo que diz que os salários baixos são uma mais valia competitiva, mesmo para os que têm altas qualificações, assim à laia dos países que estiveram por trás da cortina de ferro. A sorte é que os nossos altos qualificados fogem e depois ficam cá os inúteis para serem ministros e quejandos. E quer aqui apostar, Ó Rasmussen, que vamos ter a sua "flexisegurança" aplicada, mesmo não sendo brilhante, para que as pessoas possam simplesmente ser despedidas quase como escravos, sem direitos nem compensações, para depois andarem um ano ou mais à procura de mais um trabalho flexiseguro!? E quer também apostar que os salários baixos vão continuar em detrimento das altas qualificações?
Mais duas notas finais: Se este ex-primeiro-ministro dinamarquês considera que o seu modelo não é brilhante para a Dinamarca, com níveis de desnvolvimento muito superiores ao nosso, imagine-se a catástrofe se for cá aplicado! E fecho com um aviso: é que se os dinamarquese são conhecidos por serem os latinos da Escandinávia, nós não somos propriamente considerados os nórdicos do sul da Europa. Neste aspecto, devemos estar mais perto do Zimbabué...
E digo eu: Ó Rasmussen, nós temos cá um tipo que diz que os salários baixos são uma mais valia competitiva, mesmo para os que têm altas qualificações, assim à laia dos países que estiveram por trás da cortina de ferro. A sorte é que os nossos altos qualificados fogem e depois ficam cá os inúteis para serem ministros e quejandos. E quer aqui apostar, Ó Rasmussen, que vamos ter a sua "flexisegurança" aplicada, mesmo não sendo brilhante, para que as pessoas possam simplesmente ser despedidas quase como escravos, sem direitos nem compensações, para depois andarem um ano ou mais à procura de mais um trabalho flexiseguro!? E quer também apostar que os salários baixos vão continuar em detrimento das altas qualificações?
Mais duas notas finais: Se este ex-primeiro-ministro dinamarquês considera que o seu modelo não é brilhante para a Dinamarca, com níveis de desnvolvimento muito superiores ao nosso, imagine-se a catástrofe se for cá aplicado! E fecho com um aviso: é que se os dinamarquese são conhecidos por serem os latinos da Escandinávia, nós não somos propriamente considerados os nórdicos do sul da Europa. Neste aspecto, devemos estar mais perto do Zimbabué...
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terça-feira, 5 de junho de 2007
Joe, o rico que tira aos ricos ou o Robin Hood Causa Invertida dos tempos modernos
Assistimos ao nascimento de mais uma figura inédita no seio da nossa sociedade: o capitalista-populista. A seguir ao voraz político que desce até ao povo, cujo expoente máximo é o "Paulinho das feiras", eis que surge Joe Berardo o capitalista aplaudido pelo povo, o vencedor do grande Raw contra todas as OPA, o lutador infatigável a favor... dos largos milhões embolsados, o verdadeiro Robin dos Bosques dos tempos modernos, que tira aos ricos para ficar ainda mais rico. O homem até chegou a ser ovacionado, quando saiu da reunião que impediu o sucesso da OPA da Sonae sobre a PT, imagine-se!, por sindicalistas! Entretanto lutou contra Jardim "Undertacker" Gonçalves na AG do BCP e voltou a ser recompensado com uma valorização estimada de 210 milhões de euros das suas acções no maior banco privado português. Um dos argumentos esgrimido neste embate foi o meio de transporte utilizado pelo ex-presidente executivo do BCP. Joe não se conformou que ele viesse de jacto privado às expensas do BCP!!! E o povo viu e manifestou-se a seu favor.Somos realmente pouco coerentes nas nossas (poucas!) manifestações. Ora lutamos contra a precariedade laboral, ora apoiamos um homem que legitimamente faz a sua vida a ganhar dinheiro em especulações bolsistas que muitas vezes redundam em mais despedimentos nas empresas, pois estas têm de agradar aos seus accionistas e estes não podem perder os seus altos rendimentos. Somos assim, diferentes, incoerentes. O único motivo talvez seja a deriva da falta de causas.
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sexta-feira, 1 de junho de 2007
Cinzento a querer mudar
Hoje é dia da criança. Também foi o dia em que vi um homem no metro a ler furiosamente enquanto, num óbvio tique nervoso, palitava os dentes da frente com a ponta da unha de um dos mindinhos, fazendo umas derivações pela densa barba que lhe contornava a boca. Também fiquei a saber que o George Orwell morreu na miséria. Continuando nesta linha sem lógica, cada vez mais me convenço que estou no caminho errado, cheio de cinzento...
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
Greve aos dias bons
Ontem houve greve geral e eu fiz greve aos dias bons. Passo a explicar: para que o bem comum seja salvaguardado - alegadamente - existe o direito à greve, mas este consiste também nalguns deveres como a prestação de serviços mínimos determinados sectores como os tranportes, o que ontem não se verificou. E começou logo aqui a minha greve aos dias bons, pois às oito da manhã estive mais de meia-hora na fila para um transporte alternativo ao metropolitano que afinal não existia! Conclusão: tive de ir de carro para Lisboa. Atalhos, trânsito, atalhos, mais trânsito... O cenário habitual nestas situações. E estacionar em pleno Saldanha? Foi à primeira. Não fosse o moedinhas a pedir o seu quinhão, os "sapos" da Emel - que não fizeram greve - e as coisas até teriam corrido bem. Não dei os habituais 0.5 € ao arrumador, mas tive de pagar o parquímetro e tudo isto sob o olhar complacente de uma dupla policial. Ao longo do dia claro está que tive de ir alimentar a máquina para que não fosse multado e garanto que não saiu barato! Mas a "pièce de resistance" da minha greve aos dias bons aconteceu quando, às 18h30, saí do trabalho - onde por acaso os sistemas andaram encalacrados o dia todo; julgo serem afectos à CGTP - e vi que tinha uma multa de estacionamento. É que o parque estava pago até às seis, mas tive de ficar mais tempo no trabalho sem possibilidade de vir pôr mais moedas... Resultado: uma multa de singelos quatro euros, mas a verdade é que já tinha gasto cinco/seis euros e a coima da "saparia emelesca" teria sido igual se não tivesse posto moedas. Lição aprendida: mais vale não pagar nada do que ir metendo moedas diligentemente, pois o atraso de pagamento ou a ausência do mesmo são tratados de igual forma. E tudo isto começou no dia anterior quando no trânsito fui ameaçado por um deficiente com uma faca em punho!!!!!!!!!!
Valeu a futebolada nocturna...
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terça-feira, 29 de maio de 2007
E vocês?

ESTÓRIAS QUE ME CONTARAM
No nosso dia a dia assistimos às mais diversas formas de discriminação por parte de todos em relação a todos. Não se pense que só as minorias são alvo deste fenómeno social. Há mais a serem discriminados seja pelo que for. Por exemplo, há dias assisti a uma conversa entre uma senhora bem na vida com uma vendedora da revista CAIS de apoio aos sem abrigo. A primeira estava a adquirir uma edição, mas enquanto tirava as moedas da carteira, aproveitou para dar um sermão à indigente e começava assim: «Vocês fazem sempre a mesma coisa. Têm de fazer isto com outra cara, blá, blá...».
A minha atenção ficou no pronome pessoal “vocês”. Parece uma palavra inofensiva, mas deve ser das mais discriminatórias do léxico nacional. A senhora bem na vida utilizou-a, ainda por cima, com um nível de pedantismo acima da média, colocando-se muito distante do “vocês” a quem se dirigia. Sem ser ofensiva directamente, humilhou a pobre senhora que só queria vender a CAIS e que não estava minimamente interessada em saber o que pensa uma mulher de classe superior.. Ah! Que asneira a minha, não existem classes na sociedade! Somos todos iguais!
Mas não é só nestas situações de óbvia desigualdade que a palavra ganha tons discriminatórios. Quantas vezes, nós próprios, já a utilizámos para discriminar de forma pejorativa alguém? Quem nunca se referiu, ao falar com um amigo, que “vocês, os do Benfica, do Flamengo, etc” são desta ou daquela forma? Ou num contexto político? Por exemplo, “vocês”, os de direita ou de esquerda agem sempre assim! Num ambiente religioso: “Vocês”, os católicos, os judeus, os muçulmanos ou outros pensam e agem assim!. Mesmo dentro do local de trabalho com um simples “vocês”, os da informática, por exemplo! Ou “vocês”, os professores, os taxistas, os médicos, os jornalistas, os políticos, os pedreiros, etc!
O que este “vocês” tem de violento é que generaliza e faz crer que uma pessoa por exercer determinada profissão, acreditar em determinado Deus, ser adepto de um clube ou pertencer a um partido, pensa ou age de forma idêntica e previsível. Se um católico age mal: “vocês, católicos agem todos mal; se um adepto do Benfica é entrevistado e está bêbado: “vocês benfiquistas são todos uns pinguços!”; se um indigente faz pela vida como pode a vender revistas nas ruas: “vocês os pobres precisam todos de mudar de atitude”. Minha senhora, vocês os bem postos e quejandos têm é de aprender que os valores não dependem do dinheiro e uma mísera esmola não dá direito a proferir sermões aos mais desfavorecidos! “Vocês!”
NOTA: Este texto vai ser publicado na Revista Brasil no próximo mês. Inauguro aqui o hábito de o pré-publicar - julgo que o director não vai ficar chateado.
A minha atenção ficou no pronome pessoal “vocês”. Parece uma palavra inofensiva, mas deve ser das mais discriminatórias do léxico nacional. A senhora bem na vida utilizou-a, ainda por cima, com um nível de pedantismo acima da média, colocando-se muito distante do “vocês” a quem se dirigia. Sem ser ofensiva directamente, humilhou a pobre senhora que só queria vender a CAIS e que não estava minimamente interessada em saber o que pensa uma mulher de classe superior.. Ah! Que asneira a minha, não existem classes na sociedade! Somos todos iguais!
Mas não é só nestas situações de óbvia desigualdade que a palavra ganha tons discriminatórios. Quantas vezes, nós próprios, já a utilizámos para discriminar de forma pejorativa alguém? Quem nunca se referiu, ao falar com um amigo, que “vocês, os do Benfica, do Flamengo, etc” são desta ou daquela forma? Ou num contexto político? Por exemplo, “vocês”, os de direita ou de esquerda agem sempre assim! Num ambiente religioso: “Vocês”, os católicos, os judeus, os muçulmanos ou outros pensam e agem assim!. Mesmo dentro do local de trabalho com um simples “vocês”, os da informática, por exemplo! Ou “vocês”, os professores, os taxistas, os médicos, os jornalistas, os políticos, os pedreiros, etc!
O que este “vocês” tem de violento é que generaliza e faz crer que uma pessoa por exercer determinada profissão, acreditar em determinado Deus, ser adepto de um clube ou pertencer a um partido, pensa ou age de forma idêntica e previsível. Se um católico age mal: “vocês, católicos agem todos mal; se um adepto do Benfica é entrevistado e está bêbado: “vocês benfiquistas são todos uns pinguços!”; se um indigente faz pela vida como pode a vender revistas nas ruas: “vocês os pobres precisam todos de mudar de atitude”. Minha senhora, vocês os bem postos e quejandos têm é de aprender que os valores não dependem do dinheiro e uma mísera esmola não dá direito a proferir sermões aos mais desfavorecidos! “Vocês!”
NOTA: Este texto vai ser publicado na Revista Brasil no próximo mês. Inauguro aqui o hábito de o pré-publicar - julgo que o director não vai ficar chateado.
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Não deixes desaparecer a tua criança!
Ao que julgo saber, hoje celebra-se o Dia Internacional da Criança Desaparecida. Não podia vir mais a propósito, tendo em conta o drama do desaparecimento de Madeleine, cujo eco em muito ultrapassou o que seria normal esperar. Mas o meu apelo vai no sentido de não deixarmos também desaparecer a criança que todos somos. Parece lamechas, mas não é...
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Foreman tenta beliscar Ali

Os mitos, cedo ou tarde, acabam por cair ou por ser abalados. Foi o que aconteceu agora com o mais famoso combate de boxe de todos os tempos que opôs Muhammad Ali a George Foreman, em Kinshasa (Zaire), corria o ano de 1974. Em jogo estava o título mundial detido por este último e que que lhe foi arrebatado pelo homem que flutuava como uma borboleta e picava como uma abelha. O despique decorreu sob intenso calor e Ali - ex-Cassius Clay - utilizou as cordas para encaixar os golpes recebidos, não se cansando tanto. Com mais energia foi com alguma naturalidade que, no oitavo "round", venceu por "knock-out".
Contudo, o pugilista vencido lançou recentemente um livro em que levanta a possibilidade de ter sido drogado. Aqui fica o testemunho de Foreman na primeira pessoa em declarações à imprensa por ocasião do lançamento do seu livro God in My Corner: «Bebi água antes do combate. Subi ao ringue com um gosto de remédio na boca. Cuspi-a durante todo o combate e disse ao meu treinador: estou convencido de que a água que bebi tem alguma coisa. A partir do terceiro assalto comecei a sentir-me muito cansado!»
Claro que pode ser só uma desculpa para se defender de uma derrota que lhe marcou a vida. Talvez não queira assumir que o cansaço que sentiu se tenha devido a uma estratégia menos conseguida. Mas a verdade é que dá uma beliscadela no mito de Ali e da sua vitória mais histórica. Apesar disso, ficam algumas perguntas a Foreman: Por que é que não falou antes disto? Quem lhe teria drogado a água? Com que intuito?
P.S. - Não sou fã de boxe, mas este combate tenho-o bem vivo na memória depois de o ter visto há alguns anos.
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quarta-feira, 23 de maio de 2007
Mais uma...
Às vezes as pessoas desiludem-me sempre...
E eu, parvo, continuo a acreditar que o homem é bom!
E eu, parvo, continuo a acreditar que o homem é bom!
terça-feira, 22 de maio de 2007
A classificação final 2006/2007
Porto, Porto, Porto!
És a nossa alegria, és a nossa glória!
Dai-nos neste dia, mais uma alegria, mais uma vitória!
Força Sporting, alé. És a nossa Fé!
Benfica, Benfica, Benfica. (três vezes como convém ao terceiro classificado)
Nota de "Índio" lampião: Fora Fernando Santos! Fora Nuno Gomes, Derlei, Beto, Paulo Jorge e quejandos. Fica Miccoli, Simão, Rui, Léo e outras mais valias.
És a nossa alegria, és a nossa glória!
Dai-nos neste dia, mais uma alegria, mais uma vitória!
Força Sporting, alé. És a nossa Fé!
Benfica, Benfica, Benfica. (três vezes como convém ao terceiro classificado)
Nota de "Índio" lampião: Fora Fernando Santos! Fora Nuno Gomes, Derlei, Beto, Paulo Jorge e quejandos. Fica Miccoli, Simão, Rui, Léo e outras mais valias.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Quanto vale um Zero à direita?
O candidato mais à direita para a Câmara Muncipal de Madrid, Alberto Ruiz Gallardón, resolveu dar uma entrevista de fundo à revista Zero. Nada de extraordinário não fosse esta publicação ser direccionada para os gays e de se saber a posição daquele partido em relação a esta temática. Inclusive, este senhor tema na sua lista a mulher de José Maria Aznar, ex-primeiro ministro espanhol, que é conhecida pelas suas posições, por exemplo, contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo cuja lei foi recentemente aprovada no país vizinho. Ana Botella não foi, contudo, impeditivo para que o mais provável das eleições para a Câmara madrilena desse a referida entrevista. Aqui fica uma parte da notícia publicada no DN a este propósito: «O presidente da câmara de Madrid, Alberto Ruiz Gallardón, provável vencedor das próximas eleições, apareceu esta semana na capa da revista gay mais conhecida de Espanha - a Zero, que já entrevistou Zapatero duas vezes e que tinha, para este número, como primeira escolha, o rival de Gallardón na corrida eleitoral. Mas Miguel Sebastián, socialista, recusou o convite com a enigmática frase "mais por motivos políticos que pessoais". Gallardón disse que sim, para surpresa dos editores da revista, que nunca tinham conseguido um político de direita para a capa. O alcaide, que não esteve ao lado do PP quando este interpôs um recurso no Tribunal Constitucional para anular a lei que autoriza o casamento de homossexuais, recebeu os dois jornalistas no seu escritório. E respondeu a todas as perguntas, incluindo a que questionava a número dois da sua lista, mulher do ex-presidente de Governo José Maria Aznar. Mais de uma vez, Ana Botella mostrou-se publicamente contra as leis de igualdade para os homossexuais.»P.S. - Cá no burgo fiquei a saber que o próximo dia 10 de Junho vai acumular mais uma celebração. Até hoje foi dia de Camões, de Portugal e das Comunidades. A partir deste ano vai passar a ser também dia da Tropa, mesmo assim como se tivesse sido dito por algum concorrente de um qualquer BB da TVI. Que mais celebrações podemos acumular nesse dia? Talvez o dia da Poupança! Um país que num só dia consegue comemorar quatro situações, só pode ser muito poupadinho...
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